A obra “Auto da barca do Efémero” foi desenvolvida originalmente no âmbito das comemorações das relações luso-japonesas, tendo sido apresentada em Tóquio, no Hillside Forum, e integrada na Expo Osaka. O projecto contou, desde a sua génese, com o apoio institucional da AICEP e da Embaixada de Portugal no Japão.
Em 2025, integrando o eixo programático "Confluências e Criação" do Museu Nacional Soares dos Reis, a peça estabeleceu um diálogo com as coleções de arte Namban do museu, explorando temas de intercâmbio cultural e a circulação de técnicas e objectos entre o Ocidente e o Oriente. A sua instalação no Mosteiro dos Jerónimos representa uma nova etapa desta narrativa, ligando a obra a um espaço de profunda carga histórica e simbólica para a Expansão Portuguesa - o Mosteiro dos Jerónimos como ponto de partida para essa etapa europeia iniciada pelos portugueses de Quinhentos, a globalização, uma nova Belém cuja luz irradiou para o mundo, mas também, ponto de recolha de experiências, contactos e culturas.
A instalação no Mosteiro dos Jerónimos surge assim, como uma extensão natural deste percurso. A proposta visa integrar o biombo no espaço do monumento, permitindo uma leitura contemporânea da temática das barcas e das viagens num local central da história marítima portuguesa. Pretende-se, assim, uma harmonização entre a peça e a arquitectura do Mosteiro, potenciando a experiência do visitante através de uma perspectiva artística.
Ana Aragão (Porto, 1984) é licenciada em Arquitetura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP, 2009). Na qualidade de bolseira da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), frequentou o doutoramento no Departamento de Arquitectura da Universidade de Coimbra (2011-2014). Actualmente, dedica-se exclusivamente ao desenho, explorando os temas dos imaginários urbanos e da chamada "arquitectura de papel".
Do seu percurso artístico, destacam-se a participação no Pavilhão Italiano da Bienal de Veneza de 2021 e na representação portuguesa da edição de 2014 da mesma Bienal. Desde 2012, tem integrado diversas exposições colectivas e individuais, em Portugal e no estrangeiro.