Torre de Belém

Desde a Idade Média que o Tejo, rio amplamente navegável, assume cada vez mais importância como via de navegação entre as duas margens, em alguns pontos muito distantes entre si, mas sobretudo, no comércio de curta e longa distância.
Mas é quando se consolida a Expansão portuguesa para Norte de África e costa ocidental africana que se verifica o crescimento exponencial da cidade de Lisboa, que em poucas décadas se torna uma das maiores urbes europeias e sem dúvida, a mais importante cidade portuária da Europa no que respeita a navegação de longa distância. A Lisboa chegava de tudo vindo de terras exóticas: especiarias, porcelanas, seda, marfim e pedras preciosas, mobiliário e outros. E com isto, chegavam também mercadores, viajantes, artistas e artesãos, aventureiros de toda a Europa
Com a acumulação de riqueza bem como a importância estratégica do rio, a cidade e arredores tornavam-se alvos apetecíveis para corsários. A partir de finais do Século XV, por iniciativa de D. João II, começou-se a dar prioridade a um sistema de defesa global, que abrangesse a chamada “barra” do Tejo. Da distante, mas estratégica vila de Cascais, já frente ao oceano, à zona mais estreita do rio, entre as margens Norte de Belém/Restelo e Sul, de Almada, junto a Porto Brandão. Todo um sistema defensivo constituído por fortificações, com cobertura de tiro de artilharia o que, representava para a época, um grande avanço tecnológico.

A DEFESA DO TEJO
Falar de fortificação como ciência só é possível quando se associa à técnica de construção defensiva um carácter científico. Com o surgimento da artilharia pirobalística a fortificação medieval começa a tornar-se ineficaz. O Castelo é progressivamente substituído pelo Fortaleza moderna. Em Portugal essa transição foi liderada pela escola italiana, como na maior parte da Europa, materializando-se na construção da Torre de Belém.

A construção da Torre de Belém, abaluartada, obedece a um critério racional de defesa da entrada de Lisboa pela barra do Tejo. Foi implementado por D. João II e continuado por D. Manuel I que veio a proporcionar os meios necessários, humanos e materiais, requeridos pela própria Expansão portuguesa. O projecto inicial abarcava um dispositivo integrado que compreendia como meios fixos, a Fortaleza de Cascais, a Torre Velha da margem sul e uma bateria fortificada onde mais tarde se veio a construir a Torre de São Vicente ou de Belém. Guarnecidas de potentes bombardas, o tiro cruzado constituía um formidável obstáculo a todo e qualquer navio inimigo que tentasse forçar a barra.
Em consequência do desenvolvimento da artilharia, diversificada para responder a problemas de natureza estratégica e táctica, surge um novo tipo de navio destinado ao combate de alto mar, o Galeão. O seu aparecimento verifica-se na mesma altura em que é construída a Torre de Belém, na segunda década do Séc. XVI. Construiu-se então uma nau de 1000 tonéis, com numerosas bocas de fogo, complementando assim o dispositivo defensivo. Fundeado a meio do rio Tejo, o "Botafogo" constituía um suporte da linha de defesa do Tejo.
Construíram-se também caravelas equipadas com grossas bombardas que executavam tiro de ricochete, uma técnica inédita até então, e que estariam preparadas e em posição para intervir sempre que necessário.
Este foi um plano de grande eficiência porquanto durante 30 a 40 anos não se registaram queixas das populações, que antes eram vítimas de depredações por parte de corsários de origem norte-africana ou norte-europeia. Este plano inédito e pioneiro veio a ser replicado mais tarde, em todo o território do Império Português de Quinhentos, particularmente no Oriente.

Imagens e fotografias
1 - (© Fotografia - Nuno Cera/Mosteiro dos Jerónimos) 2 - Torre de Belém (detalhe) in "Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa Capitale do Reino de Portugal, Situada na borda do Rio Tejo [...]"Bernardo de Caula P.ro tenente dartilharia do algarve. - 1763 3 - A Defesa do Tejo e da cidade de Lisboa - Torre de Belém (D) - Códice de Cadaval
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Visite a Torre de Belém de Terça-feira a Domingo, das 09h30 às 17h30 (a última entrada é às 17h00). Monumento classificado como Património Mundial pela UNESCO, ícone da arquitectura do reinado de D. Manuel I, de uma época em que Portugal se afirmava como uma potência global.
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